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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Capitulo 8


Uma noite calma e serena, já passam das seis e meia da madrugada, Murilo estava em seu dormitório, seu turno acabara a meia hora, havia esperado mais um pouco, ver o nascer do sol era uma injeção de animo e esperança, repousou sua arma nos pés de sua cama retirou as botas e sem pestanejar jogou-se na cama caindo em sono profundo, o cansaço abatia o corpo e a mente depois de insensatos três dias ininterruptos de trabalho.


O Sol já vai alto e imponente, uma leve brisa balançava a cortina deixando os raios de luz atravessar as janelas e tocarem o rosto de Murilo, logo incomodado colocou a mão no rosto protegendo-se um pouco da luminosidade, olhou para a cabeceira da cama e la estava Rebeca, seu anjo, sua querida filha lia um livro, assim que percebeu seu pai acordado aprontou um rápido e rasgado sorriso e continuo sua leitura. Uma linda morena com aproximadamente um metro e setenta, olhos azuis lembrando o céu, eram iguais aos de seu irmão, o mesmo sorriso inocente.
Murilo levantou e foi para o banho, deixou Rebeca no quarto lendo com muita empolgação, o homem decidiu não atrapalhar, depois contaria a ela sobre o ultimo combate, sempre era assim, depois de uma batalha Rebeca repousava na sua cama a espera de detalhes da contenda e que seu pai estivesse bem e sem ferimentos. Após o banho Murilo com a toalha no pescoço secando os cabelos parou na porta do quarto admirando Rebeca por um longo tempo, os anos passavam rapidamente, no próximo dia sua querida filha completaria dezoito anos, uma mulher crescida, Murilo pega o relógio na poltrona, passavam das cinco e meia da tarde, estava quase no horário, pegou sua camisa e foi saindo do quarto sem dizer uma palavra.
-Oi, não vai me contar como foi ontem senhor Murilo.
O homem se vira sorrindo e termina de colocar sua camisa, se aproxima da menina e lhe lasca
um beijo molhado.
-Senhor é bem minha criança mais tarde hoje poderei ver meu irmão, amanhã e um grande dia, quem sabe poderá vê-lo também no seu aniversário.
Rebeca saltou da cama abrasando o pai com força, abriu um belo sorriso, ela sempre pedia ao pai para ver o tio em coma no Hospital, mas o não se tornara corriqueiro.

Murilo sai da casa dando passos largos, atravessa um longo jardim florido com todos os tipos de flores nativas, passa pela praça e chega ao Hospital geral da cidade, entra rapidamente e chega ao elevador sendo escoltado por um segurança, Murilo era bastante conhecido. Conta os andares, o sétimo subsolo era seu destino, chega a uma pequena sala onde se paramenta com uma roupa especial própria para cirurgia, para evitar a contaminação do ambiente, encosta os olhos num aparelho de leitura de retina e é liberada sua passagem, Murilo vai direto ao terceiro tanque sem dizer palavra alguma, sempre é um momento complicado e emocionante, toca no vidro blindado e as lágrimas jorram aos montes, fica ali por vários minutos, fazia três meses que não via o semblante de seu irmão que não mudou um milímetro desde que aconteceu o fatitigo acidente, com um ar de inocência conta as diversas historias que fez parte nos últimos meses, fala também de Rebeca, meia hora depois Murilo e convidado a se retirar. Na volta à sala de paramentação estava sendo esperado por um senhor vestido todo de branco, logo reconhecido por Murilo, era o doutor Dagoberto, um velho de cabelos brancos crespos e óculos.
-Dagoberto, como esta meu amigo, alguma novidade?
-Murilo, tenho sim, falei com o com o conselho de segurança e eles liberam só que e por apenas cinco minutos, o bastante para vê-lo com mais atenção.
Murilo aperta a mão do medico em agradecimento, voltaria para casa e contaria as boas noticias para sua filha e prepará-la para o momento.

Socorro, socorro, meus braços não movem, essa luz nos meus olhos, asas um anjo estou flutuando, não é água, minha garganta dói, não consigo fechar a boca uma mangueira me impede e minhas pernas não as sinto. Um sonho, e isso, mais um sonho estranho, meu irmão, sinto sua presença ele tem lágrimas nos olhos e esta tentando me tocar, algo obstrui suas mãos, por que, onde estou não agüento mais.

Por que isso, não consigo abrir os olhos, estou morto, meu corpo não responde, o que é isso, quem é, meu irmão, Murilo, Murilo, e essa aura celestial, já senti esse poder antes, essa paz interior. Uma sensação inexplicável surgiu em sua mente, um cheiro inconveniente e pútrido pairava por todos os lugares deixando um ar de apreensão, tentou acalmar-se e avaliou o cheiro, chegou à conclusão que era algo queimado ou podre, as trevas estavam chegando bem perto. O sangue ferve, as forças multiplicam em velocidade surreal, protegeria a todos, seu irmão querido Murilo e a Ariel, estranho esse nome não saia à cabeça, não entendia, não conhecia esse nome, o cheiro ficou mais forte e insuportável para respirar, mexe os dedos da mão direita e abre os olhos quebrando sua aparente prisão de água, sabia que seu irmão Murilo estava a sua frente, apesar de estar mais velho e um semblante amargurado e triste, toca-lhe os ombros e retira o tubo e uma mascara que estava em sua boca, olha para a direita e da um pequeno sorriso com satisfação para uma bela menina que não era estranha, surpreso foi pego por outro sorriso que veio da mesma menina, em seguida averigua o local com cuidado e sai em corrida livre, abre a porta do elevador com facilidade e sobe pelos cabos de aço rapidamente, instante de escalada e vê linhas de claridade, abre outra porta e continua sua corrida saindo do complexo, percebe um barulho de sirene e muitas pessoas correndo por todos os lados, precisava de uma arma, sua espada, aquela que ganhara de aniversário de seu avô bastaria, mas onde acharia ela naquela hora e principal em lugar tão estranho. Olhou para a direita e se deparou com um grande museu, podia achar alguma coisa útil ali, logo que entrou no prédio encontrou uma estátua revestida com roupas de samurais, na parede varias armas de utilidade, pegou duas e dirigiu-se para fora do prédio, logo que saiu percebeu um grande portão e uma escadaria que subiu agilmente ate o topo, vários holofotes estavam virados para um imenso gramado de grama rasteira, chegou a imaginar mais ou menos cinqüenta metros de altura do chão, não haveria problemas, deu um salto pegando todos que o olhavam surpresos, pousou no gramado e foi na direção de vários pontos vermelhos que vinham da mata a frente, um instante e já estava cortando corpos e cabeças por todos os lados. Cinco minutos de combate e todos os adversários padeciam mortos ou agonizantes no chão, um cheiro acre e fétido exalava de seu corpo revestido de sangue coagulado, um tremor e o guerreiro cai de joelhos apoiando as duas espadas no gramado, o corpo formiga, cansaço, dor e alivio um leve sorriso e um potente grito é ouvido por todos, o guerreiro ergue uma das espadas para o ar, sem forças cai inconsciente.
Rebeca estava apreensiva, passam das cinco e meia da tarde, o dia fora todo maravilhoso por parte de seu pai e amigos, mas era evidente o desejo da garota. Saem de casa indo para o complexo hospitalar por volta das seis horas da tarde, Murilo não gostou do horário por causa da noite eminente, mas foi convencido por sua filha depois de muita insistência. Momentos intermináveis que deixavam Rebeca mais e mais impaciente, nunca havia visto seu tio que estava em coma as tantos anos pessoalmente, apenas por fotos e historias sobre ele, um êxtase era expresso em sorrisos e perguntas empolgadas. Depois da paramentação finalmente chegaram ao elevador, Murilo pega a mão de Rebeca e vão à direção do terceiro tanque onde estava Gabriel. Murilo emocionado aproximou primeiro e tocou o vidro, Rebeca estava um pouco intimidada, mas logo observou de perto o rosto de Gabriel, chegou a perguntar ao seu pai, o rosto de seu tio estava inacreditavelmente idêntico as fotos que vira ate então. Uma paz e calmaria inundavam seus pensamentos, sentia que conhecia aquela pessoa há muito tempo e profundamente, aproximou e também tocou no vidro ficando petrificada ao ver os olhos de Gabriel abertos e brilhantes como a lua, a menina escorregou e caiu de bunda no chão contemplando o tanque de vidro ser destruídos em vários pedaços, tocou os ombros de seu pai que estava estático e desferiu um belo e inocente sorriso para Rebeca que retribuiu a altura mostrando os dentes para seu tio que nunca vira e agora estava ali a sua frente, o momento mais estranho vivido por ela, Gabriel sai em corrida livre saindo do campo de visão de Rebeca que logo levantou e olhou na direção que seu tio correra vendo apenas a porta do elevador aberta. Procurou por seu pai que logo saiu do transe e correu na direção do elevador externo, apertou varias vezes os botões e a porta abriu, o doutor Dagoberto tentava sair quando Murilo entrou com emergência no elevador segurando o medico pelo braço, Rebeca também correu e adentrou antes da porta fechar. Murilo tentava explicar alguma coisa dos acontecimentos incríveis de instantes atrás ao medico e amigo, mesmo sem entender, no momento que chegaram ao térreo à sirene de alerta estava tocando, em momento tão inoportuno os demônios estavam chegando, Murilo ficava mais pensativo ainda, geralmente os ataques aconteciam de uma a duas vezes no mês, mas quatro dias depois e na hora que estranhamente seu irmão havia acordado. Murilo corre em direção dor portão central sendo seguido pelo medico e por Rebeca. Cinco minutos e chegaram ao local, subiram às escadarias, Murilo comenta com Dagoberto que estava tudo muito silencioso, não estavam atirando. No topo da escadaria estava o comandante de defesa, um homem jovem, por volta de vinte e cinco anos, olhos verdes, por volta de um metro e oitenta de altura, cabelos loiros escorridos e pele clara, atendia pelo nome de Gedeon.
-Gedeon, foi dado o alerta para atirar a vontade, por que não estão fazendo isso, eles vão entrar e nos destruir.
-Murilo, não, veja isso, tem um de nós la embaixo, ele saltou daqui onde estou é inacreditável, ele já matou vários demônios e continua lutando.
Murilo chega ao batente, vários holofotes iluminavam o local do combate, apertou os olhos e percebeu que o guerreiro estava sem camisa, sabia que era ele, seu irmão Gabriel, tinha certeza, pegou uma arma de um soldado e começou a descer as escadas.
-Gedeon eu vou sair, avisa eu vou sair, temos que ajudá-lo agora.
Gedeon rapidamente desceu as escadas indo atrás de Murilo chamando alguns homens para acompanhá-los na empreitada, dava instruções a todos ate chegar ao portão principal, um alerta contra um ataque surpresa. Murilo passa correndo pelo portão indo em direção ao combate, dois minutos e os homens chegam perto do local, o cenário e extremamente desagradável, sangue negro podre coagulado e pútrido é visto por todos os lados, cabeças separadas de corpos carbonizados e estranhamente avermelhados, algo como ferrugem em pó formando vários montes, ninguém jamais vira algo impressionante assim antes, estavam maravilhados e confusos ao mesmo tempo. Ao menor sinal de movimento os soldados atiravam sem piedade terminando com a existência dos demônios sobreviventes para não ocorrer alguma surpresa desagradável que coloca-se alguém em perigo. Murilo chega ao centro da batalha e depara com Gabriel de joelhos segurando duas espadas aplicando um ultimo golpe contra um demônio, seu corpo estava coberto de sangue coagulado negro e mal cheiroso, tenta aproximar um pouco mais e vêem aos ouvidos um forte e imponente grito vindo de seu irmão que levantou uma das espadas e logo em seguida tombou no chão inconsciente.

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